Data : 01/02/2019

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O ECOCÍDIO DE 25 DE JANEIRO DE 2019

Na véspera do 7º dia da “Tragédia de Mariana”, na 5ª feira, dia 31 de janeiro, o frater Henrique Cristiano José Matos foi ao local do desastre. Não por pura curiosidade quis ir pessoalmente à área devastada, mas “movido de misericórdia”, na tríplice dinâmica desse preceito eminentemente evangélico: VER, deixar COMOVER-se e AGIR. Em nome dos Fráteres CMM e do Retiro Vicente de Paulo, Centro Holístico de Espiritualidade Católica, em Igarapé, MG, quis expressar nossa solidariedade. O que se VÊ ultrapassa toda a imaginação: uma destruição total da Natureza, engolida pela lama. Uma profunda COMOÇÃO atinge o coração e o remove por dentro. É difícil conter as lágrimas. Estamos diante de um ecocídio (matança indiscriminada da vida) em dimensões gigantescas. A indignação nos impulsiona para FAZER ALGO, a começar pela conscientização do que aconteceu de verdade, para depois participar de ações concretas a fim de aliviar os incalculáveis sofrimentos causados pelo impacto. Todos devem conhecer o que aconteceu de fato e tomar consciência da gravidade do ocorrido. O desastre poderia ter sido evitado se a ganância não tivesse a palavra decisiva nos empreendimentos de mineração. Veio à tona o que o Papa Francisco escreveu na sua Encíclica Laudato Si’ (24-5-2015), sobre o “Cuidado da Casa Comum” (a Terra): “Em todos os níveis deve haver diálogo e transparência, sobretudo em se tratando de grandes empreendimentos que têm forte impacto ambiental” (n.182) … A validade de projetos [de mineração] nunca pode ter como único critério a rentabilidade (n.187)”.
Oremos com o salmista: “Já em mim o alento se extingue, o coração se comprime em meu peito! Eu me lembro das coisas passadas… Escutai-me depressa, Senhor, o espírito em mim desfalece” (Sl 142, 5.7).
Que Francisco de Assis, o Santo da Ecologia, interceda por todos os atingidos e pela própria Natureza devastada, e que São Vicente de Paulo nos ensine o que é ser misericordioso segundo o espírito de Jesus. Que também nunca percamos de vista que os mais vulneráveis e sofredores (a própria mãe Terra e todos os seres vivos) são sempre os prediletos do Pai das Misericórdias e Deus de toda Consolação.