Data : 13/04/2017

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NOVAS VOCAÇÕES PARA A CONGREGAÇÃO

NOVAS VOCAÇÕES PARA A CONGREGAÇÃO DOS FRÁTERES E O SEMINÁRIO DIOCESANO DE ITABIRA-CORONEL FABRICIANO

1ª Parte

Nos primeiros anos de sua existência, O Seminário, ou seja, a casa de formação para futuros presbíteros da Diocese de Itabira-Coronel Fabriciano, esteve sob os cuidados da Congregação dos Fráteres de Nossa Senhora, Mãe de Misericórdia.
O assunto é vasto e mereceria um estudo mais acurado. Existe, felizmente, uma ampla e detalhada documentação, em parte de cunho eminentemente pessoal. Por ora, trataremos apenas globalmente da temática que, mesmo assim, se mostra extensa.

Antes de entrar na história do Seminário, convém falar, brevemente, da formação de jovens para a Congregação CMM, tal como se realizou nos anos 60 e 70 do século passado. Vocação — seja para o ministério ordenado, seja para a Vida Religiosa — é um tema delicado, que exige respeito e prudência. Trata-se de um mistério, pois se refere, essencialmente, a um chamamento especial de Deus, dirigido a uma pessoa em particular. Já o Documento de Puebla (1979) afirmava que vocação “não é coisa que depende exclusivamente de iniciativa pessoal. Primordialmente, é chamado gratuito de Deus, vocação divina, que se deve perceber graças a um discernimento, escutando o Espírito Santo e colocando-se diante do Pai, por Cristo, e frente à Comunidade concreta e histórica à qual se há de servir” (n.4,2).

Na vocação, há um elemento de misteriosa intimidade, pois aquele que é chamado “põe-se à escuta do Senhor, seu grande Amigo. Ele quer fitá-lo nos olhos e falar-lhe ao coração, na intimidade da oração pessoal (cf. Ap 3,20), da oração comunitária (cf. Mt 18,20) e da Liturgia… Somente na disponibilidade à voz de Deus, poderá encontrar a alegria de uma total autorrealização” (João Paulo II. Encontro com os vocacionados, Porto Alegre, 5-7-1980).

Daremos, em seguida, alguns dados que ilustram a preocupação dos fráteres pioneiros com o porvir de sua Família Religiosa na Terra da Santa Cruz. O que chamamos Juvenato — casa de formação de menores, tendo em vista seu encaminhamento à Vida Religiosa (como se dizia na época) — começou, em caráter experimental, nas dependências do antigo prédio do Colégio Padre Eustáquio, em Belo Horizonte, no dia 28 de fevereiro de 1964. Entraram, então, 16 jovens: 11 de Belo Horizonte, 4 de Divinópolis e 1 de Ferros. No ano seguinte, aos 3 de março, vieram mais 22 juvenistas: 12 da capital mineira, 9 de Ferros e um de Divinópolis. Nesse interim, alguns já tinham deixado a casa. De fato, as crônicas registram que, em julho de 1965, o Juvenato contava com 32 internos. Durante os anos de 64 e 65, foi construído, no atual Bairro Pindorama (naquele tempo, uma região inteiramente periférica de Belo Horizonte), um prédio destinado a ser o Juvenato Nova Glória. A mudança ocorreu nas férias de julho de 1965. No início do mês seguinte, chegaram à nova casa os juvenistas. Era um período de muita movimentação e de grandes esperanças. O prédio poderia abrigar, folgadamente, em regime de internato, 100 jovens. Na realidade, seu número nunca ultrapassaria a metade. Junto ao Juvenato, havia a “Casa dos Fráteres”. Os anos iniciais em Pindorama foram marcados por intensa atividade e não pequenos sacrifícios. Vários integrantes da nova comunidade CMM eram jovens religiosos, recém chegados da Holanda, e ainda em pleno processo de adaptação. Esse fato não impediu, naquele tempo, que fossem imediatamente colocados em obras de apostolado, entre as quais a do então Ginásio Padre Eustáquio. O Juvenato exigia muito dos religiosos nele empenhados, sobretudo nos primeiros tempos, quando tudo estava ainda por ser organizado. O coordenador de todo trabalho, ao mesmo tempo diretor do Juvenato e superior da comunidade religiosa, era o frater Everardo Huiskamp (1926-2006), irmão de sangue do frater Nicácio Huiskamp (1931).

Tinha chegado de Curaçao, em dezembro de 1960, junto com frater Inocêncio Staats (1923), aquele que seria o primeiro Superior Regional dos Fráteres no Brasil. Frater Everardo voltou à Holanda em 1977, por motivos de saúde. Era uma pessoa jovial, dinâmica, aberta e alegre. Muito aprendemos com ele em vários anos de convivência. Apreciavam-se, sobretudo, sua capacidade de trabalho, responsabilidade e objetividade no tratamento. A ele pode ser aplicado, com propriedade, o adágio: “verba movent, exempla trahunt — as palavras movem, os exemplos arrastam!”. A seguinte reflexão, de autoria do monge beneditino Gabriel Brasó (1912-1978), caracteriza bem a personalidade do frater Everardo: “A sinceridade e a autenticidade, tanto quanto a caridade e a generosidade, não exigem que realizemos todas as obras que julgamos excelentes e urgentes, mas, muito pelo contrário, exige que cada um cumpra, com a máxima pureza possível e com verdadeiro ardor, a missão que o Espírito Santo lhe confiou”.

1- O prédio do Juventato, no Bairro Pindorama, em Belo Horizonte 2- Quatro fráteres da nova comunidade do Juvenato.3- Como era o Bairro em 1965.4- Juventude do Bairro em meados dos anos sessenta do s+®culo passado.

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