Data : 03/05/2017

Dados sujeitos a alteração sem aviso prévio.

O conteúdo deste material on-line não expressa, necessariamente, a nossa opinião.

Reportar erro

CASA ANCHIETA E SEMINÁRIO DE ITABIRA – 3ª Parte

3ª Parte

Os dois jovens que mais se destacaram naqueles anos foram os irmãos Élder Luiz Silva (1957) e Ivo Afonso da Silva (1955), provenientes da cidade de Itabira. Élder entrou em 28-2-1977 e seu irmão, dois anos mais velho, no mês seguinte, ou seja, no dia 7-3-1977. Ambos já tinham participado dos Encontros de REVENSO, em Mateus Leme. Numa dessas ocasiões, Élder revelou sua vontade de ser sacerdote. Com esse desejo, entrou, por iniciativa própria, na comunidade dos Fráteres em Belo Horizonte, iniciando seus estudos de Filosofia na Universidade Católica de Minas Gerais. Na realidade, com a chegada de Élder abriram-se, espontaneamente, novas perspectivas, sobretudo quando outros jovens da Diocese de Itabira mostraram o mesmo interesse. Iniciou-se, então, o gradual processo que faria com que uma das duas Casas CMM, na capital mineira se tornasse um seminário diocesano.

Antes de continuar, é oportuno oferecer alguns dados históricos sobre a Diocese de Itabira-Coronel Fabriciano.

Sua criação é de 14 de julho de 1965 — portanto, no quarto e último ano do Concílio Vaticano II — pela Bula Haud Inani, do Papa Paulo VI (1963-1978). Seu território foi desmembrado das Arquidioceses de Mariana e Diamantina. O primeiro bispo, Dom Marcos Antônio Noronha, conduziu a diocese de 28-12-1965 até 2-11-1970, quando renunciou ao cargo. Como sucessor, foi nomeado Dom Mário Teixeira Gurgel (1921-2006), SDS, que tomou posse em 18-7-1971 e renunciou no ano de 1996, por motivos de idade. Dom Lélis Lara (1925-2016), CSSR — então bispo coadjutor — o sucedeu, permanecendo no cargo até 2003, quando entregou o pastoreio da Diocese a Dom Odilon Guimarães Moreira (1939), sucedido, em 2013, por Dom Marco Aurélio Gubiotti.
Na apresentação do Plano Pastoral Diocesano de 1982, afirma-se que “uma Igreja no espírito de Medellín (1968) e Puebla (1979) deve ser uma Igreja que procura ser pobre, no espírito das bem-aventuranças. Uma Igreja de gente que se compromete com a fraternidade e a justiça. Uma Igreja que procura não reproduzir em si mesma a pirâmide social. Uma Igreja em que todos procuram unir-se e organizar-se para mudar as atuais estruturas anticristãs de nosso mundo, a partir de gestos concretos, aqui, onde estamos”.
A formação de comunidades eclesiais, vivas e atuantes, era muito enfatizada na pastoral diocesana. A preocupação de seus bispos concentrava-se nitidamente no desenvolvimento do espírito comunitário, na qualificação de agentes de pastoral e no acompanhamento das lideranças. Igualmente, havia uma atenção específica à grave problemática social da região, marcada pela presença de poderosas macroindústrias.
Até 1977, não havia propriamente candidatos ao sacerdócio ministerial naquela diocese. O primeiro que manifestou esse desejo — como já vimos — foi Élder Luiz Silva. Por dois anos, permaneceu o único seminarista diocesano, residindo na Comunidade dos Fráteres. Em dezembro de 1978, apresentaram-se mais cinco jovens. Diante disso, o então bispo auxiliar, Dom Lélis Lara, pediu à Congregação que aceitasse em sua Casa os mencionados candidatos e os acompanhasse. Após ampla consulta, o Superior Geral da época respondeu positivamente. A partir de um “Esboço de Programa de Formação”, feito pelo frater Henrique, Dom Mário elaborou suas Recomendações para os seminaristas da Diocese de Itabira, entregues aos cuidados dos Fráteres de Nossa Senhora, Mãe de Misericórdia (15-12-1978), contendo oito pontos de atenção. Frater Henrique foi encarregado de, em nome da Comunidade, dar assistência aos seminaristas. O programa de formação foi sintetizado e visualizado num organograma, reproduzido em baixo. Facilmente, é possível perceber os quatro ‘enfoques’: vida espiritual, estudos, trabalho, lazer. Interessante notar que nunca houve entre a Diocese e os Fráteres um contrato formal no que se refere à formação dos seminaristas. Na realidade, durante quase dez anos, a Congregação colocou gratuitamente à disposição da Diocese suas casas das Ruas Itororó e Anchieta, no Bairro Padre Eustáquio, em Belo Horizonte, além de dois de seus religiosos: frater Henrique Matos e frater Leopoldo Remans. Os bispos arcavam com as despesas de manutenção do seminário.
Promover uma comunidade seminarística equilibrada e harmoniosa, numa realidade por demais diversificada, não era tarefa fácil. Pelas crônicas, ficamos sabendo que, em dezembro de 1978, havia na casa “quatro fráteres com votos perpétuos, um com votos temporários (José Maria da Costa), um noviço (Cléber Marcelino da Silva) e um ‘simpatizante’ da Congregação (José Luís do Carmo), alguns seminaristas e 15 jovens ‘em regime de pensionato’. A complexa situação exigia uma tomada de posição. Efetivamente, no dia 1º de julho de 1980, houve, oficialmente, a ‘fusão dos diversos grupos’ numa única comunidade. Do antigo ‘pensionato’ (anterior à fundação da Casa Anchieta), ficaram poucos e logo foram integrados à recém criada comunidade, onde, na realidade, predominavam os candidatos ao sacerdócio da Diocese de Itabira. Mesmo com essa reestruturação, o grupo continuava heterogêneo. Assim, no ano de 1980, havia na comunidade 9 seminaristas de Itabira: Afonso dos Santos Severino (1952-1994), Carlos Jorge Teixeira (1955), Cássio Serretti Mendes (1965), Élder Luiz Silva (1957), Geraldo Garito Corrêia (1955), José Antônio de Meirelles (1954), José Maurício Alves (1960), Nilso Gessé da Costa (1960) e Sebastião Acácio Rodrigues (1957). Dois eram os seminaristas da Igreja-irmã de Itabira, a (então) Prelazia de Alto Solimões: Elias Augusto José (1954) e Joseney Lira do Nascimento (1958). Ainda estavam na comunidade Edmilson Bento Torres (1961), da Diocese de Teófilo Otoni, e Ildefonso Ribeiro de Paula (1962), candidato da Ordem da Santa Cruz (Crúzios). Durante um ano (1-2-1981 a 29-1-1982), ficou conosco também o jovem Nédio dos Santos Lacerda (1962) que, depois, ingressaria no Seminário da Arquidiocese de Belo Horizonte. Ao longo dos anos, tivemos ainda candidatos de várias outras dioceses e mesmo de Famílias Religiosas. No arquivo, encontramos os nomes de Luiz Carlos Amorim (1952) e Paulo Pereira (1956), da Diocese de Divinópolis; Carlos Alberto Torezani (1962), da Diocese fluminense de Itaguaí; Raimundo Ribeiro Filho, da Diocese de Itumbiara, GO; Sérgio Silva Rocha (1950), da Diocese (hoje Arquidiocese) de Montes Claros, Josef Wieneke (1960), da Alemanha. Da Ordem dos Premonstratenses, ficaram algum tempo conosco, após seu primeiro ano de noviciado, os jovens Ivo Vasconcelos Ferreira da Silva (1962), João Marcos Moreira (1962) e Welson Reis Silva (1962). Entre outros nomes dos 44 candidatos que passaram pelo Seminário de Itabira — no período em que esteve sob a direção dos Fráteres — queremos ainda citar: Ernesto de Freitas Barcelos (1955), Geraldo Sotero do Nascimento (1964), José Eusébio da Silva (1960), José Geraldo de Melo (1961), José Luiz da Silva (1959), José Marcelino de Magalhães Filho (1961), Luís Antônio Alves da Silva (1964), Luiz Cláudio de Oliveira (1962), Luiz Ferreira dos Santos (1954), Renato Menezes Cruz (1960) e o caçula de todos, proveniente da Prelazia de Alto Solimões, Vítor Batalha Sobrinho (1966). Um ou outro nome deve ter escapado nesse elenco e, por isso, peço, de antemão, vênia. No mais, há casos muito curiosos na história do Seminário. Houve um candidato que ingressou numa segunda-feira e saiu, fugido, na sexta-feira da mesma semana: caso de policia!
Uma pessoa, já citada, merece particular destaque, pelo fato de a ela ser dedicado esse terceiro volume de Um religioso em mudança de época. Trata-se de Geraldo Sotero do Nascimento, que começou conosco sua formação seminarística, em 3-2-1985. Completou todo o curso de Filosofia na PUCMinas. Mesmo depois de ter deixado o seminário, ficou sempre ligado aos fráteres. Hoje, é o competente e zeloso gerente do Retiro Vicente de Paulo, em Igarapé. Devemos a ele singular gratidão pelos serviços prestados e, ainda mais, pelo exemplo de sua vida.

CASA ANCHIETA E