Data : 17/08/2016

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Abertura Centenário da Morte do Venerável Servo de Deus Frater Andreas

Início da celebração eucarística - o celebrante, Padre Marcus Vinícius e frater Henrique

Início da celebração eucarística – o celebrante, Padre Marcus Vinícius e frater Henrique

Frater Adriano na sua homilia sobre Frater Andreas

Frater Adriano na sua homilia sobre Frater Andreas

Na quarta-feira, dia 3 de agosto de 2016, às 11h, iniciou-se no Retiro Vicente de Paulo, em Igarapé, MG, a celebração do início da Comemoração do Centenário da Morte do Venerável Frater Andreas, da Congregação dos Fráteres de Nossa Senhora, Mãe de Misericórdia (CMM).

A celebração eucarística foi presidida pelo Padre Marcus Vinícius Maciel, da Congregação dos Sagrados Corações (Padre Eustáquio).
Além dos Fráteres da Região Brasil, participaram umas trinta pessoas, provenientes de Belo Horizonte, Igarapé e São Joaquim de Bicas. Frater Henrique deu as boas vindas e a homilia (cujo texto segue em baixo) foi feita pelo Frater Adriano, na realidade uma bela e significativa reflexão sobre a pessoa singular de Frater Andreas, que nasceu em 1841 e faleceu santamente na Congregação em 1917.

Santinho e medalha de Frater Andreas

Santinho e medalha de Frater Andreas

No fim da Missa o frater Nicácio distribuiu uma nova medalha do Venerável a cada um dos presentes.

Imagem de madeira do Venerável

Imagem de madeira do Venerável

Em seguido nos deslocamos para o Memorial de Frater Andreas, anexo ao Salão de Palestras “Dom Joannes Zwijsen”, no RVP. Trata-se de uma pequena construção em seis ângulos, planejada e executada por Geraldo Sotero do Nascimento.

Todos se maravilharam com a singela beleza do espaço, que tão bem combina com a virtude mais característico do Santo: a simplicidade.

A imagem de madeira pintada foi esculpida por Vanderley Campo de Sena, o mesmo santeiro que é o artesão de várias outras esculturas sacras do RVP.

No Memorial encontram-se também as fotos dos onze Fráteres já falecidos que viveram e trabalharam no Brasil, desde a criação da Região CMM, em 1960.

A bênção da imagem por Padre Marcus Vinícius

A bênção da imagem por Padre Marcus Vinícius

Padre Marcus Vinícius oficializou a bênção da imagem e do espaço, ressaltando o exemplo de Frater Andreas como educador da juventude.

Após a palavra de agradecimento do Superior Regional, frater Theodoro, terminamos o encontro comemorativo com um festivo almoço no refeitório do RVP.

Reflexão do Frater Adriano Van den Berg na Missa (3-8-2016)

Hoje, na abertura oficial do Ano de Preparação do Centenário do Venerável Servo de Deus, fráter Andreas, que viveu de 1841 até 1917, sinto um prazer de poder falar sobre ele, ainda não declarado santo, mas por nós fráteres considerado como tal. Filho de um camponês ele cumpriu sua missão como religiosos na simplicidade e pode ser símbolo para aqueles e aquelas, que exortados pelo Evangelho, cumprem o seu dever como seguidores de Jesus.
Desde criança estou familiarizado com a imagem do frater Andreas, cujo retrato estava pendurado por cima da cama no dormitório dos meus pais. Meu tio, frater Nivardus que viveu com ele no internato De Ruwenberg, deu o quadro de presente. Eu olhei com muito gosto para seu semblante amável.
Isso está gravado na minha memória. Além de outros fráteres na minha infância, dois tios, um primo, e meu irmão Antoon, devo colocar no meio deles frater Andreas, que me atraíram para ser frater também.
Agora, para situar frater Andreas, um pouco sobre os dados pessoais dele.
Jan van den Boer – nome civil – nasceu na pequena cidade de Udenhout na Holanda. Com 14 anos foi para a academia pedagógica para se preparar para o magistério. Quatro anos depois ele ingressou na Congregação dos Fráteres. No ano 1860 fez os Votos Religiosos e recebeu o nome de frater Andreas. Em 1861 recebeu o seu diploma como professor e em 1876 e 1878 respectivamente seus diplomas da língua Alemã e Francês.
Sua carreira como professor iniciou-se no Internato De Ruwenberg, um pensionato – inicialmente destinado também para futuros padres da Congregação. Em 1871 ele foi nomeado diretor deste pré-seminário e era conhecido como ´o santo frater`. Desde 1912 ele residiu na casa dos fráteres – “Sagrado Coração – em Tilburg onde ele faleceu no dia 3 de agosto de 1917.
Frater Andreas foi um dos membros do período da fundação com o nosso fundador – Johannes Zwijsen – em plena vida. Foi o tempo da primeira Regra que Andreas aceitava como orientação de vida. Ele era fiel até nas pequenas coisas que o levou mais longe do que as pequenas coisas em si mesmas, fazendo a Vontade de Deus por amor e servindo os irmãos. Ele foi consciencioso em cumprir a Regra que, em vez de limitar a sua ação como religioso, concretizava seu ideal como fráter.
Vemos frater Andreas contribuir no ensino e na educação da juventude depois de uma sólida preparação. Seus co-irmãos estavam invejosos pela facilidade com que ele mudava de uma língua para a outra. Muitos se lembravam dele como craque em línguas. É conhecido que ele anotava certas palavras e contos num pequeno caderno para não esquecer. Como professor ele era meticuloso. Ele se preparava para todas as aulas e corrigia o trabalho dos seu alunos com o maior cuidado. Ensino qualitativo pede uma dedicação total e uma atenção indivisa, na organização e avaliação. Frater Andreas era um exemplo na observação deste ideal.

Além de ser professor, ele se distingui também no apostolado da leitura educativa, de bons livros para a juventude. Naquele tempo muitos fráteres trabalhavam como autores de métodos para diferentes disciplinas. Tudo impresso na gráfica da congregação. De frater Andreas existe uma lista de sua publicações: 84 artigos, 10 livros e 88 cartas. Dos livros vários são traduções de edições em alemão e francês. Quase não dá para entender como ele achou tempo para tudo isso. Cada momento livre ele aproveitava para esse serviço em prol da juventude. No dia de seu falecimento chegou lá na casa dos fráteres a prova do famoso livro juvenil `Nonni e Manni`, seu último livro, muito tempo o livro predileto da juventude católica.
Mas mesmo elogiando frater Andreas como professor, educador e autor, eu devo falar hoje principalmente sobre ele como frater-religioso. Nos acontecimentos diários referente a ele ou a sua comunidade ele vê Deus como Presença, de que ele espera tudo. Ele escreve sobre suas aspirações, sobre a gratidão pela sua vocação, seu zelo para a oração e honra a Maria como padroeira da congregação. A vida inteira de um religioso deveria ser uma vida de oração. A Regra diz que devemos orar de bom grado, com fervor, freqüentemente pensar na presença de Deus e rezar a Ele em silencio. Tudo que tenho ou sou e mera graça de Deus. A maior perfeição está na conformidade com a Vontade de Deus.

E quero terminar com a mais surpreendente citação dele sobre a alegria. “A alegria torna tudo que se diz e faz agradável a Deus. Deus quer que sejamos sempre alegres. Ele quer que sejamos o retrato d`Ele, na medida possível. Deus É Alegria, como Ele É Amor. Na natureza tudo canta e se regozija… Rir é uma propriedade natural do homem e por isso a obra do Criador. Tudo o que é bom quer ser partilhado na alegria e na ternura. Porque Deus enfeitou o mundo tão lindo?… A maior parte é mais para o nosso olhar e prazer do que para o nosso uso”.

Nesta visão na obra da Criação Andreas tira uma conclusão também surpreendente, o que nós interpretamos como ´andar na presença de Deus` e a citação continua: `Deus é bom Pai, que quer que seus filhos se divertem e brincam, não muito longe d´Ele. Ele gosta da nossa companhia e estar no meio do nosso divertimento inocente. Ele não quer que Sua Presença nos incomoda. Ele quer sobretudo que somos imagens de Sua Bondade e Caridade. Deus quer que sejamos alegres sempre e não podemos agradá-Lo, nem ser santo quando não fazemos a Sua Vontade.
Frater Andreas, sua imagem não mudou para mim desde a minha infância, somente aumentou o meu respeito, te chamando Venerável Servo de Deus.

ABERTURA CENTENÁRIO DA MORTE DO VENERÁVEL