Data : 09/11/2016

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A Comunidade Eclesial de Nossa Senhora da Paz – 1ª parte

Antes de 1999, os religiosos da Congregação dos Fráteres de Nossa Senhora, Mãe de Misericórdia, iam só ocasionalmente à Comunidade de Nossa Senhora da Paz, lugar popularmente conhecido como “Farofa”. Trata-se de uma capela que faz parte da Paróquia de São Joaquim e Sant’Ana, no Município de São Joaquim de Bicas, MG.

Ajudávamos (e ainda continuamos a fazê-lo até hoje), sobretudo, em cultos celebrados nos fins de semana e outras atividades pastorais. A partir de 2001, essa presença tornou-se mais regular, particularmente com a construção do C-4, isto é, o Centro de Formação do Cristão Católico Dom Cristiano, cuja pedra fundamental foi lançada aos 27 de dezembro daquele ano. Lentamente, não sem muitos contratempos, este pequeno Centro se desenvolveu, ganhando novo impulso com a fundação da AMOM: Associação ‘No Movimento da Misericórdia’, aos 7 de abril de 2004. Sua primeira presidente foi a senhora Aurea Marin Burocchi (1963), uma talentosa ex-aluna minha do Curso de Teologia da PUC Minas, hoje doutora em Teologia pela FAJE (Faculdade Teológica dos Jessuítas, de Belo Horizonte).

O núcleo inicial da AMOM foi o “Grupo da Terceira Idade”, que desenvolve ainda hoje várias iniciativas promocionais, tendo em vista, particularmente, a valorização da pessoa idosa. Na realidade, porém, a Associação teve uma irradiação muito além desse grupo específico. De fato, ainda hoje, atinge pessoas de outras faixas etárias com atividades de artesanato, como também de corte e costura. Queremos destacar aqui dois nomes — sem desmerecer nenhuma outra integrante — que são como os esteios da AMOM: Dona Efigênia Pinto do Prado (1942) e Dona Carmelita Coelho Souto (1919-2014). À primeira, foi dedicado o primeiro volume de Um religioso em mudança de época, da autoria de frater Henrique. À segunda, uma publicação da Coleção “Iniciação à Teologia”, da Editora Vozes, intitulada: Estudar teologia, iniciação e método (2005), do mesmo autor. Tenho uma profunda admiração por essas duas mulheres, uma já na Casa do Pai, exemplos de fé viva e de total dedicação aos outros, sobretudo aos mais necessitados. São testemunhas da misericórdia vivida no quotidiano. A elas, podem ser aplicadas as palavras de Santa Teresinha (1873-1897), ditas dois meses e meio antes de sua morte: “Rien ne me tient aux mains. Tout ce que j’ai, tout ce que je gagne, c’est pour l’Église e les âmes. Que je vive jusqu’à 80 ans, je serai toujours aussi pauvre, em tradução: Nada retenho em minhas mãos. Tudo o que tenho, tudo o que ganho é para a Igreja e para as almas. Mesmo que eu viva até os 80 anos, serei sempre assim, pobre” (Últimos Colóquios, 12-7-1897).

A AMOM opera ainda em três outras áreas. Em primeiro lugar, temos os chamados Encontros de Misericórdia, reflexões semanais — nas quintas-feiras, à noite — em casas de família. São reuniões populares, nas quais refletimos sobre a realidade da vida à luz da fé, numa perspectiva de misericórdia. Esses Encontros começaram, há quase vinte anos, na Comunidade do Bairro Cidade Nova, em Igarapé. A grande incentivadora e a alma dessa iniciativa foi Dona Alice Malta (1924), hoje com sua saúde bastante abalada. Durante muitos anos, a coordenação esteve nas mãos do senhor Vicente Rodrigues da Silva (1959). Interessante ler a Ata de Fundação dos Encontros de Misericórdia naquele lugar: “No ano de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1997, aos 6 dias do mês de fevereiro… Começamos com a invocação do Espírito Santo. Em seguida, ouvimos a Palavra de Deus, contida em Mc 6,7-13, que fala do envio em missão dos Apóstolos, leitura mui apropriada para o momento. Houve partilha da Palavra por diversas pessoas e sua aplicação ao momento que estávamos vivendo. Depois, frater Henrique expôs a finalidade desta reunião. Houve troca de ideias e levantaram-se nomes de famílias a serem visitadas. Chegamos à conclusão que deveriam ter preferência as casas de católicos afastados da comunidade, seja qual for o motivo. Antes de visitá-los, alguém sondaria a conveniência da visita. Combinamos que os Encontros se realizariam, semanalmente, às quintas-feiras, sempre às 20h, tendo uma duração de, no máximo, 60 minutos. Elementos fundamentais dos encontros: leitura e reflexão da Palavra de Deus, bênção da família, entrega da cruz da misericórdia como lembrança da reunião e a oração à Mãe de Misericórdia. O restante ficaria a critério do/a coordenador/a e poderia variar conforme as circunstâncias. Durante os períodos da ‘Campanha da Fraternidade’ e da ‘Novena do Advento’, os subsídios desses eventos seriam incorporados ao próprio roteiro dos Encontros de Misericórdia… Não tendo mais nada a ser deliberado, lavrei a presente Ata que será lida no dia 13 de fevereiro [de 1997], para todos tomarem conhecimento da Fundação dos Encontros de Misericórdia. Que Deus seja servido, o Evangelho anunciado, a caridade vivida, sob a proteção e a bênção da Mãe de Jesus…”.

De cada Encontro, guarda-se o registro em livro apropriado, com indicação de data, casa onde foi realizada a reunião, tema abordado, nome do/a coordenador/a e assinaturas de todos os participantes. Esses volumes constituem uma preciosa fonte de recordação das “maravilhas que Deus fez em nosso favor” (Sl 115/116B, 12).

Com imensa alegria, celebraremos, no próximo dia 15 de dezembro de 2016, o Encontro de Misericórdia número 550, na Comunidade de Nossa Senhora da Paz. Enquanto estamos escrevendo essas linhas, nesta terça-feira, dia 8 de novembro de 2016, os coordenadores dos Encontros — tendo à sua frente a incansável e dinâmica Dona Efigênia Pinto do Prado — estão se preparando para a celebração deste evento memorável.
Com o salmista podemos cantar (Salmo 39/40, 10-12): “Proclamei toda a vossa justiça, sem retê-la no meu coração; vosso auxílio e lealdade narrei. Não calei vossa misericórdia e verdade na presença da grande assembléia. Não negues para mim o vosso amor! Vossa misericórdia e verdade me guardem!”

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